Neurologista lista alguns hábitos que aceleram o envelhecimento do cérebro para você evitar
Muito além da genética, escolhas diárias influenciam a saúde cerebral ao longo do tempo; conversamos com um neurocirurgião para entender quais são alguns desses hábitos a se evitar
Por Redação QG
Todos os órgãos do nosso corpo estão sujeitos à ação oxidativa do tempo. No entanto, determinados hábitos do dia a dia podem acelerar esse processo, favorecendo um envelhecimento precoce — que não se limita à aparência e afeta também o cérebro.
Segundo o neurocirurgião João Vitor Lima, membro da SBN (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia), o envelhecimento do cérebro não depende apenas da genética, mas é fortemente influenciado por escolhas cotidianas feitas ao longo da vida. Hábitos aparentemente simples podem acelerar a perda de funções cognitivas quando mantidos de forma contínua.
“Evitar o sedentarismo, o isolamento social, a má alimentação, a privação de sono, a multitarefa constante e a negligência com a saúde auditiva e visual são atitudes essenciais para preservar a saúde cerebral e reduzir o risco de declínio cognitivo”, recomenda o especialista.
Má alimentação
De acordo com o especialista, o que comemos tem impacto direto na saúde do cérebro. “Dieta rica em ultraprocessados, açúcares, gorduras saturadas e baixo consumo de vegetais e ômega-3 está diretamente ligada ao envelhecimento cerebral”, afirma.
O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2014 e que baseia ações de educação alimentar e nutricional do país, estabelece como recomendação central que alimentos in natura ou minimamente processados sejam a base da dieta. Isso inclui frutas, verduras, legumes, grãos, raízes, tubérculos, leite, ovos e carnes. Esses alimentos fornecem fibras, proteínas, vitaminas, minerais e outros compostos bioativos essenciais à saúde.
Não cuidar da visão e audição
Problemas não corrigidos de visão e audição também representam fatores de risco relevantes para a saúde cerebral. Quando esses sentidos não funcionam adequadamente, o cérebro precisa fazer um esforço extra para interpretar informações do ambiente, o que pode levar a uma sobrecarga cognitiva ao longo do tempo. “Alterações não tratadas de visão ou audição aumentam o esforço mental diário e estão associadas a um maior risco de declínio cognitivo e demência”, explica o médico.
Sedentarismo
O estilo de vida sedentário reduz a capacidade de adaptação do cérebro. “O exercício aumenta a oxigenação, estimula a formação de novas conexões e reduz inflamações no cérebro”, destaca Lima.
Além disso, ficar distante do convívio com outras pessoas também afeta a saúde neurológica. “A falta de interação reduz estímulos cognitivos e está ligada ao aumento do risco de Alzheimer e depressão”, alerta o especialista.
A qualidade do sono
Os brasileiros estão dormindo cada vez menos. Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), a média nacional é de apenas 6,4 horas por noite, abaixo do recomendado para a maioria das pessoas. E as consequências são problemas de memória, no humor, metabolismo e sistema cardiovascular.
Dormir bem é fundamental para a regeneração cerebral. “Durante o sono profundo, o cérebro elimina toxinas. A privação crônica prejudica esse processo e favorece o acúmulo de proteínas ligadas à demência”, explica.
Entre os sinais diurnos de que o descanso não está sendo suficiente estão:
- Sensação de sono não reparador logo ao despertar;
- Dificuldade em sair da cama e adiar o despertador várias vezes;
- Fadiga constante ao longo do dia;
- Falta de concentração, criatividade e empatia;
- Irritabilidade;
- Sonolência em momentos de repouso;
- Cansaço físico x sono mal recuperador.

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