Estudo revela ligação entre bactéria da pneumonia e progressão do Alzheimer
Estudo aponta que bactéria da pneumonia pode contribuir para inflamação e progressão do Alzheimer.

Estudo Revela Ligação Entre Bactéria Da Pneumonia E Progressão Do Alzheimer
Pesquisa identifica presença da Chlamydia pneumoniae na retina e no cérebro de pacientes com a doença
Uma infecção respiratória considerada comum pode ter impacto direto na progressão do Alzheimer. Cientistas identificaram que a bactéria Chlamydia pneumoniae, frequentemente associada a quadros de pneumonia e sinusite, pode permanecer no organismo e participar de processos inflamatórios ligados à neurodegeneração.
O estudo foi publicado em 22 de janeiro de 2026 na revista Nature Communications, sob o título Identificação de Chlamydia pneumoniae e ativação do inflamassoma NLRP3 na retina da doença de Alzheimer. A pesquisa foi liderada por Bhakta Prasad Gaire e Maya Koronyo-Hamaoui (DOI: 10.1038/s41467-026-68580-4).
Conexão entre pulmão, retina e cérebro
Embora tradicionalmente relacionada ao sistema respiratório, a Chlamydia pneumoniae demonstrou capacidade de atingir tanto o cérebro quanto a retina. A permanência prolongada nesses tecidos foi associada à inflamação crônica, à ativação do inflamassoma NLRP3 e ao aumento da vulnerabilidade dos neurônios.
Como a retina é uma extensão direta do sistema nervoso central, ela pode funcionar como janela de observação do que ocorre no cérebro. Nesse cenário, a análise retiniana surge como ferramenta promissora para detectar sinais precoces da doença de forma não invasiva.
Evidências em pacientes
A pesquisa examinou tecido retiniano de 104 pessoas, incluindo indivíduos com cognição preservada, comprometimento cognitivo leve e diagnóstico confirmado de Alzheimer.
Os resultados indicaram que pacientes com a doença apresentavam níveis significativamente mais elevados da bactéria na retina e no cérebro.
Também foi identificada uma correlação relevante:
- Maior carga bacteriana associada a pior desempenho cognitivo
- Relação direta entre infecção e aumento de marcadores inflamatórios
- Intensificação da degeneração neuronal
Outro dado importante foi a maior prevalência da bactéria em portadores da variante genética APOE4, conhecida por aumentar o risco de Alzheimer. A constatação sugere possível interação entre predisposição genética e fatores infecciosos.
O mecanismo inflamatório envolvido
Testes realizados em células nervosas humanas e em modelos animais reforçaram os achados. A infecção estimulou:
- Aumento da produção de beta-amiloide
- Intensificação da inflamação cerebral
- Maior morte neuronal
- Agravamento do declínio cognitivo
Esses processos são considerados centrais na fisiopatologia do Alzheimer. Assim, a presença da bactéria pode funcionar como acelerador de mecanismos já associados à doença.
Novas possibilidades de tratamento
A descoberta amplia o debate sobre o papel das infecções crônicas no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas. Caso os resultados sejam confirmados por estudos clínicos adicionais, o controle precoce da infecção e da inflamação poderá integrar estratégias complementares no manejo do Alzheimer.
Entre as abordagens em análise estão:
- Uso direcionado de antibióticos em fases iniciais
- Terapias anti-inflamatórias específicas
- Monitoramento retiniano para detecção precoce
Embora a bactéria não seja apontada como causa isolada da doença, os dados reforçam a ideia de que o Alzheimer resulta de múltiplos fatores, incluindo possíveis componentes infecciosos.
Impactos para diagnóstico e prevenção
A identificação da Chlamydia pneumoniae na retina e no cérebro acrescenta um novo elemento à compreensão do Alzheimer. A pesquisa destaca a importância de uma visão integrada do organismo, na qual infecções respiratórias aparentemente simples podem influenciar a saúde cerebral.
O trabalho publicado na Nature Communications abre novas frentes de investigação e reforça a necessidade de abordagens multidisciplinares no enfrentamento da demência.
PorFolhaDestra
Publicado fevereiro 25, 2026

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