Esquecimento ou falta de atenção? Saiba quando os lapsos de memória são um sinal de alerta

Evento em Porto Alegre reúne especialistas em neurociências e oferece oficinas práticas gratuitas

Fonte: Zero Hora

Como seria acordar hoje sem nenhuma lembrança do que você fez ontem? Essa foi a provocação que guiou a primeira atividade da Brain Week. A “semana do cérebro”, que acontece pela primeira vez em Porto Alegre, teve início nesta segunda–feira (1º) e segue até domingo (7). A programação, que visa levar a ciência para mais perto das pessoas, é gratuita descentralizada, com atividades em vários pontos da Capital. 

Nesta manhã, o auditório do Hospital Moinhos de Vento recebeu o workshop “Como funciona minha memória?”, que trouxe reflexões sobre o funcionamento da mente como fio que que costura nossas histórias, afetos, autonomia e, em última análise, constitui quem nós somos.

Durante o evento de aproximadamente duas horas, o público realizou testes de processos cognitivos focados em: 

  • fluência semântica, listando o máximo de animais em um minuto 
  • atenção seletiva, com a repetição de números 
  • falsas memórias, com a indução ao erro 

A prática foi conduzida pelo neurologista do Hospital Moinhos de Vento Wyllians Borelli, enquanto a segunda parte da atividade ficou à cargo da neuropsicóloga Joana Emilia Senguer do Centro da Memória Hospital Moinhos de Vento.  

— A gente está fazendo uma atividade lúdica, divertida pra quem participa, ao mesmo tempo entendendo como são os processos e a diferença entre memória, atenção e linguagem. E o que é esperado para o envelhecimento e o que não é esperado para o envelhecimento — relata Borelli. 

A palestra também buscou responder uma questão central quando o assunto é memória: quando o esquecimento deixa de ser ordinário e passa a merecer atenção especial. Para os médicos, alguns dos sintomas que justificam ligar o alerta são: 

  • Esquecer fatos recentes (o que comeu, quem viu ontem) e repetir as mesmas perguntas várias vezes 
  • Dificuldade em realizar tarefas habituais, como não saber mais usar o aplicativo do banco que já usava há anos 
  • Erros graves de planejamento, como ligar o fogo e não colocar a comida na panela 

Em contrapartida, alguns esquecimentos do cotidiano fazem parte do processo de memorização humana e, quando isolados, não representam riscos. Conforme a neuropsicóloga Joana, fazem parte do esquecimento normal: 

  • Esquecer o nome de um filme ou de uma pessoa, mas conseguir se lembrar mais tarde ou saber onde buscar essa informação, como pesquisar no Google 
  • Ter um “branco” momentâneo para nomes de objetos, mas ainda saber para que servem 
  • Perder chaves ou celular dentro de casa geralmente não é um problema de memória, mas sim uma falha de atenção 
  • Sentir dificuldade ao aprender a mexer em novas tecnologias, como um celular recém adquirido 
  • Cometer falhas ocasionais em tarefas do dia a dia, como esquecer de colocar sal na comida enquanto cozinha, é considerado aceitável se for algo isolado e esporádico 

Enquanto o esquecimento “normal” envolve detalhes que retornam à mente, o sinal de alerta aparece quando a pessoa esquece fatos recentes, repete as mesmas perguntas ou perde a capacidade de realizar tarefas que antes eram habituais. 

Ainda segundo os médicos, para prevenir o declínio cognitivo e cuidar da saúde do cérebro é necessário visar o fortalecimento do cérebro, evitando a sobrecarga mental. Alguns exemplos são: 

  • Estimulação intelectual e aprendizado constante
  • Estilo de vida e hábitos saudáveis
  • Gerenciamento da carga mental
  • Conexão social e diagnóstico precoce

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