A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA: relação da Encíclica do Papa Leão XIV, Magnífica Humanitas (2026), com a Rerum Novarum (1891) do Papa Leão XIII

Prof. Eduardo Ubirajara R. Batista

A primeira Encíclica do Papa Leão XIV, Magnífica Humanitas, lançada na segunda-feira, 25 de maio, é uma retomada das preocupações da Rerum Novaum, publicada pelo Papa Leão XIII. Voltadas para a Doutrina Social da Igreja, ambas tratam sobre mais um alerta para os riscos do uso descontrolado de tecnologias da Inteligência Artificial (IA). Há uma necessidade de refletir, uma vez mais, sobre o que o avanço tecnológico projeta para o justo serviço do bem comum da humanidade. Leão XIV pediu o desarmamento de tecnologias que servem, antes de tudo, ao poder econômico de ponta, vigente, e que são favoráveis ao controle de um novo regime escravocrata da maioria da humanidade.

Ao exigir o desarmamento das novas tecnologias, tal como elas invadem o campo de nossos conhecimentos, este Papa alerta para o fato de que algoritmos da Inteligência Artificial (IA), focados em lucro e em domínio geopolítico, ameaçam os direitos humanos. Assim, Ele pede que o avanço digital respeite o sagrado perfil da dignidade humana.

Leão XIII apresentou, na Encíclica Rerum Novarum Dele, o primeiro passo para se corrigir o rumo dos modelos perversos, excludentes, das penosas relações atuais de trabalho, em particular após a instalação do ­modo de produção industrial capitalista. Dessa forma, vejamos, a seguir, o que diferencia a primeira Encíclica de Leão XIV ante a de Leão XIII (1891). Lembrete: ambas Encíclicas destacam, como maior motivação, três pontos convergentes na busca de se corrigir o que está injusto, principalmente na questão da distribuição de renda pelos proprietários – produtores de bens e serviços -, que devem reconhecer a produtividade dos seus operários, trabalhadores, colaboradores. Eis os pontos convergentes nas duas encíclicas:

Pontos Convergentes

  • Primazia da Dignidade Humana: Ambas encíclicas afirmam que o progresso técnico e econômico nunca pode subjugar a pessoa humana, que deve ser sempre o fim e não o meio da produção;
  • Crítica à Concentração de Poder: Leão XIII condenou a concentração da riqueza nas mãos de poucos capitalistas. Leão XIV estende essa crítica para a era algorítmica, alertando contra o monopólio de dados e infraestrutura tecnológica por um pequeno grupo de corporações;
  • Intervenção e Bem Comum: Defendem que o Estado e as instituições devem atuar para proteger os vulneráveis, garantindo que as inovações sirvam ao bem comum.

Pontos Divergentes

  • O Foco Tecnológico (A Revolução Industrial vs. A Era Algorítmica): A encíclica de Leão XIII foi uma resposta aos abusos físicos da industrialização, com foco nas jornadas exaustivas e no ambiente de fábrica. A de Leão XIV foca na Inteligência Artificial (IA), atentando-se a riscos imateriais, como algoritmos de exclusão social e manipulação psicológica.
  • A Natureza da Opressão: Na Rerum Novarum, a opressão era material e vinha do antagonismo entre capital e trabalho assalariado. Na Magnifica Humanitas, a ameaça é invisível e sistêmica, residindo na mercantilização da atenção, nos vieses de dados e nos sistemas de armas autônomas letais.
  • O Papel do Algoritmo na Guerra: Enquanto Leão XIII lidava com os conflitos laborais clássicos, Leão XIV pede que a IA seja “desarmada”, condenando algoritmos militaresque permitem atacar sem que se veja o rosto do inimigo.

Observação: Para acessar os textos na íntegra e compreender suas nuances, você pode consultar a Rerum Novarum e a carta Magnifica Humanitas diretamente no portal oficial do Vaticano. (Continuaremos no dia 02/06/2026)

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